domingo, 8 de maio de 2011

A Saúde no Memorando de Entendimento com a Troika


Em Agosto de 2009, tive a honra de representar a APMCG num Congresso comemorativo do 20º aniversário do SUS (Sistema Único de Saúde, o "SNS" do Brasil). Na altura, em conversa com os colegas brasileiros senti que havia algum ressentimento em relação ao FMI... Consideravam eles que o FMI tinha sido o grande culpado pelo atraso no desenvolvimento de Sistemas de Saúde orientados para os Cuidados de Saúde Primários nos países da América do Sul. 
Contudo, sabemos que neste mundo, quase tudo pode evoluir e foi com alegria que li os parágrafos que se seguem no Memorando de Entendimento. Fiquei satisfeito por nele ser defendido um reforço dos Cuidados de Saúde Primários e a preocupação com uma boa acessibilidade aos mesmos pela população.


Primary care services
3.69. The Government proceeds with the reinforcement of primary care services so as to further reduce unnecessary visits to specialists and emergencies and to improve care coordination through:
i. increasing the number of USF (Unidades de Saúde Familiares) units contracting with regional authorities (ARSs) using a mix of salary and performance-related payments as currently the case. Make sure that the new system leads to reduction in costs and more effective provision; [Q3-2011]
ii. set-up a mechanism to guarantee the presence of family doctors in needed areas to induce a more even distribution of family doctors across the country. [Q4-2011]

Poderão ler o texto completo do Memorando aqui: http://www.box.net/shared/a88l22q4if

sexta-feira, 25 de março de 2011

Declaração de Salzburgo sobre "decisão partilhada com os pacientes"



Apelamos aos médicos para:
- Reconhecerem que têm um imperativo ético para partilhar decisões importantes com os pacientes
- Estimularem o fluxo bidirecional de informação e encorajarem os pacientes a fazer perguntas, a explicarem a sua situação, e a expressarem as suas preferências pessoais
- Fornecerem informações precisas sobre as opções e as incertezas, benefícios e malefícios do tratamento, em conformidade com as melhores práticas de comunicação de risco
- Adequarem a informação às necessidades de cada paciente, permitindo-lhe tempo suficiente para analisar as suas opções
- Reconhecerem que a maioria das decisões não têm que ser tomadas imediatamente, e dar aos pacientes e aos seus familiares os recursos e ajudar a tomar decisões

Apelamos aos médicos, investigadores, editores, jornalistas e outros para:
- Assegurarem que a informação que fornecem é clara, baseada em evidência científica actualizada, com - a devida declaração de interesses

Apelamos aos pacientes para:
- Falarem sobre as suas preocupações, dúvidas, e sobre o que é importante para eles
- Reconhecerem que eles têm o direito de ser um participante igual nos seus cuidados
- Procurarem e utilizarem informação sobre saúde de alta qualidade

Apelamos aos decisores políticos para:
- Adotarem políticas que incentivem a prática da decisão partilhada, incluindo a sua medida, como um estímulo para a melhoria
- Alterarem as leis do consentimento informado leis de forma a contribuir para o desenvolvimento de capacidades e ferramentas para a prática da decisão partilhada

Porquê
- Grande parte dos cuidados que os pacientes recebem baseiam-se na capacidade e disponibilidade individual dos clínicos para os fornecer, em vez de padrões amplamente acordados das melhores práticas ou das preferências dos pacientes.
- Os clínicos são muitas vezes lentos em reconhecer até que ponto os pacientes desejam ser envolvidos no entendimento dos seus problemas de saúde, em saber as opções disponíveis para eles, e na tomada de decisões que tenham em consideração as suas preferências pessoais.
- Muitos pacientes e as suas famílias têm dificuldade em tomar parte activa nas decisões de saúde. Alguns não têm confiança para questionar os profissionais de saúde. Muitos têm apenas uma compreensão limitada sobre a saúde e os seus determinantes e não sabem onde encontrar informações claras, confiáveis ​​e de fácil compreensão.



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Informação médica orientada para os pacientes

A forma como a informação médica é apresentada, tendo como exemplo um simples relatório de análises clínicas ou de um exame radiológico, deixa muito a desejar do ponto de vista do paciente. Thomas Goetz, um jornalista da área da saúde com mestrado em Saúde Pública, apresenta-nos as suas ideias sobre como deverá evoluir a informação médica orientada para os pacientes... Uma Talk a não perder ;)




Veja aqui um exemplo do novo "design" de apresentação da informação médica referido por Thomas Goetz na Talk (clique na imagem para a visualizar):


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Receita electrónica obrigatória, tudo menos simplex :(

A partir de 1 de Março deste ano será obrigatória a prescrição em Receita Electrónica. Ora, 1 de Março, está a bater à porta e, ao que parece, o Simplex ainda não chegou a este processo. 


Desde o momento que o médico decide comprar um determinado software até poder, efectivamente, passar uma receita electrónica irá decorrer um período que leva, em média, entre 1 mês e 1 mês e meio! Nesse período, terão que ocorrer uma série de passos administrativos que envolvem:
- registo na Comissão Nacional de Protecção de Dados e respectivo pagamento de 60,00 €
- Envio de documentação para a ACSS
- Envio, pela ACSS, do código local de prescrição
- Impressão de uma receita com o código local de prescrição
- Novo envio de documentação à ACSS
- Envio, pela ACSS, dos dados relativos ao Sistema de Conferência de Facturas
E só depois, 1 mês a mês e meio depois, o médico pode prescrever em receita electrónica.


Ora, este mês e meio de demora pode ser um obstáculo real à concretização desta medida. A grande maioria dos médicos não tem consciência desta demora que, em boa verdade, parece ser pouco justificável à luz das novas tecnologias. Isto quer dizer que os médicos terão no máximo esta próxima semana para iniciar todo este processo de forma a conseguir ter o sistema de prescrição electrónica pronto a funcionar no dia 1 de Março.


De forma a facilitar a tarefa de opção fica aqui a lista dos programas de prescrição electrónica certificados pela ACSS:


Glintt - Healthcare Solutions, S.A. - SGICM-P (versões; 3.1.1 e 4.1 ) / Higia Medical Software 


ALERT Life Sciences Computing, S.A.- Módulo de Prescrição Medicamentosa - Alert


MedicineOne 


QUIDGEST  PRACTIS - Prescrição Racional de Medicamentos


HIS, E-Health Innovation Systems, Lda Módulo de prescrição Electrónica VITACARE


Manuel da Conceição Gonçalves Mesquita  - Gestão Hospitalar Prescrição Electrónica
Link: não encontrado


Evolute - Consultoria Informática, Ld.ª EvoluteFarma


Cimplecare, Lda. - iReceita / iCare EHR


Hewlett-Packard Portugal HP-HCIS Prescrição Electrónica de Medicamentos
Link: não encontrado


Mobilwave - Tecnologias de Informação, S.A. DOCbase - Receita electrónica


Siemens, S.A.  Siemens e-Prescription
Link: não encontrado


Infortucano  - CardioBase

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O novo Windows Phone 7

Há dias, participei num evento, o 6º Seminário PocketPT, nas instalações da Microsoft Portugal em Oeiras. O evento foi sobre o Windows Phone 7, a nova aposta da Microsoft para smartphones e que vem substituir os tradicionais Pocket PC baseados no Windows Mobile.
O Windows Phone 7 parece promissor, tem um design interessante, de fácil utilização e baseia-se em princípios básicos já em vigor na concorrência, nomeadamente nos Android e nos iPhone. Por exemplo, funcionamento baseado na nuvem e a garantia da qualidade das aplicações através da centralização do seu fornecimento no Windows Marketplace (semelhante à AppStore para os iPhone).
Contudo, há alguns aspectos que convém ter em consideração para nós, médicos, que utilizamos esta ferramenta como um instrumento de trabalho e de apoio à pratica clínica:


1. O Windows Phone ainda não está completamente funcional em Portugal. Isso só acontecerá durante o ano 2011, quando forem lançados novos equipamentos com o software em português. Assim sendo, quem adquirir agora um Windows Phone, terá que criar uma conta Hotmail e colocar como país de origem o Reino Unido ou os EUA. Além disso, para adquirir aplicações terá que usar um cartão de crédito que tenha como base operacional um desses países.


2. As aplicações que actualmente correm no Windows Mobile não correm nos novos Windows Phone :( As aplicações médicas mais utilizadas como o Epocrates, o Mobile Merck Medicus ainda não dispõem de aplicações para o Windows Phone. É quase certo que serão produzidas a breve prazo...


Conclusão:
Por todas estas razões, por enquanto, parece-me prematuro adquirir um Windows Phone pois não conseguiremos, como médicos, que se transforme numa ferramenta auxiliar à nossa prática clínica. Contudo, no futuro, estes equipamentos poderão vir a ser interessantes... Até lá, a nós médicos, resta-nos as seguintes alternativas: iPhone, Android, Blakberry e os antigos Windows Mobile que, a breve prazo, irão deixar de ser produzidos.
Vídeos relacionados:







domingo, 5 de dezembro de 2010

A evolução do mundo nos últimos 200 anos

Depois das suas "talks" espectaculares no TED Talks, Hans Rosling, um estatístico sueco, continua a mostrar-nos o mundo de uma forma diferente do habitual... E coloca o seu software e bases de dados à disposição de todos: o "Gapminder". "The Joy of Stats"


O Gapminder faz lembrar a "nossa" excelente ferramenta "PORDATA"... Ainda bem que dispomos destas ferramentas :)

domingo, 3 de outubro de 2010

Vídeo explica a Reforma do Sistema de Saúde dos EUA

A reforma do Sistema de Saúde dos EUA é extremamente complexa, até para os americanos! Para quem gostar do tema e desejar perceber como as coisas se vão passar, eis um vídeo que ajuda a compreender as alterações que vão permitir que uma parte significativa da população, até aqui sem cobertura, passem a ter acesso ao Sistema de Saúde dos EUA.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Afinal, um netbook em vez de um IPad


Estava quase de partida para férias... Desejava algo leve, funcional, que me desse o gozo de escrever um livro num editor de texto na borda da piscina. Que a bateria durasse por largas horas, que me permitisse ler o jornal, receber notícias, ver vídeos... Humm, eu suspirava por um IPad...
E fui à procura... Sabia que não havia em Portugal, mas tinha esperança... Tentei descobrir no site da Apple quando estaria disponível e... nada :(   
Bem, pensei, posso comprar pela net... E aí vou eu... Encontrei, interessante, vou encomendar, só já falta introduzir o cartão de crédito e vem a informação "este produto não está disponível para o seu país" :( 
Depois disto, só me restava procurar alternativas e aí vou eu até às lojas de informática... E eis que encontro um HP mini... Uau! Leve, bonito, portátil e até tem teclado. Equipado com Windows 7, nem vou ter que gastar dinheiro em aplicações porque já tenho todo o software que preciso. E por cerca de metade do preço: 349 €! Comprei!
Satisfeito, lá fui de férias. Funcionou em pleno, superou todas as expectativas. O HP Quickweb é um software que me permite um arranque quase instantâneo com acesso às principais funcionalidades: web, fotos, música, e-mail. Faz mais do que algum IPad faria e funciona como um verdadeiro PC. Traz ligações USB e não fico dependente de tarifários  de uma só  operadora de telecomunicações para navegar na net ;-)
Em férias, visitei Espanha e enquanto passeava nas ruas de Vigo, deparo-me com uma loja que vende produtos da Apple... Lá estava ele: o IPad! O quê??? Em Portugal ainda não há e aqui ao lado já está disponível?! Fiquei mesmo satisfeito com a opção pelo HP Mini :)) 
Admite-se, cara Apple, que descrimine Portugal e os portugueses? Porque razão havemos de ser os últimos da Europa a ter acesso ao Iphone 4 ou ao Ipad? Obrigado, mas já não os quero. Pelo menos, por enquanto!



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O estetoscópio do futuro? The sthetoscope of the future?

Português:
E se, de repente, o seu médico pegar no telefone móvel e o encostar à sua pele para ouvir o seu coração? Não, o seu médico não está incapaz para o exercício da sua profissão, mas poderá estar a usar uma das mais recentes aplicações médicas para Iphone: o iStethoscope pro. O futuro poderá passar por este tipo de ferramentas... Ora veja como funciona no seguinte vídeo:


English:
And if suddenly your doctor picks up his mobile phone and touches  your skin with it to listen to your heart? No, your doctor is not unable to examine you, he may be using one of the latest medical applications for iPhone: the iStethoscope pro. The future may present us such kind of tools ... Now watch how it works in the following video:





More about this App: here

domingo, 18 de julho de 2010

Medicina Geral e Familiar - o lado humano e romântico :)

Se existisse um spot publicitário sobre a Medicina Geral e Familiar (MGF), então ele poderia ser assim, como este vídeo... Trata-se de um spot de minuto e meio que promove uma cadeia comercial. Passou no Reino Unido e deu muito que falar, pois tocou as pessoas, mexeu com elas.


Então, o que vejo nele que me faz pensar que ele seria um excelente spot publicitário sobre a MGF?


1. Vejo todo o ciclo vital. A MGF é a única especialidade médica que lida com todo o ciclo da vida do ser humano. Estamos presentes na vida de um novo ser ainda antes de ele ser concebido, acompanhamos a gravidez, a criança, o jovem, o adulto, o idoso, o luto...


2. A frase final: "Our lifelong commitment to you", ou seja "O nosso compromisso consigo ao longo da vida" é um excelente lema para a MGF. A continuidade de cuidados é uma das principais características desta especialidade médica. E o nosso compromisso é mesmo com a pessoa, com o ser humano. O médico de família não é especialista num órgão, num aparelho ou sistema, é especialista na pessoa.


3. A ternura, os laços, os afectos, a beleza da música que estão presentes neste spot... Pois é, o lado "familiar" da MGF e a visão holística dos nossos pacientes. Vemos a pessoa como um todo, como um ser que vive e se relaciona em sociedade...

Enfim, mais palavras para quê...



quinta-feira, 24 de junho de 2010

1º MGF.net Talks no Jornal SOL


O 1º MGF.net TAlks foi um evento especial :) A mim, deu-me muito gosto construir, desenhar, preparar e viver este evento. Trabalhou-se muito, mas também se partilhou muito, com uma alegria contagiante e com muita generosidade. Tive o apoio de muitos e a TODOS, o meu MUITO OBRIGADO!

O 1º MGF.net Talks foi notícia :) Na edição de 28/05/2010 o Jornal SOL publicou um artigo relacionado com este evento. Poderá lê-lo aqui...



segunda-feira, 17 de maio de 2010

O meu Médico de Família (ficção)



O meu Médico de Família é uma pessoa acessível, faz-me sentir à vontade, tem tempo para me ouvir; procura entender o que me preocupa (sem me julgar) e ajuda-me a ultrapassar os problemas que vão surgindo.

Deveria dispor de métodos mais fáceis e expeditos que lhe permitissem que os meus problemas de saúde fossem ficando registados rapidamente; assim, se tiver que ser atendido por algum seu colega... este possa saber quais os problemas que me afligem sem estar a repetir tudo de novo.

Confesso que me aborreço um bocado quando quero esmiuçar um ponto de vista e ele está a teclar no computador e a olhar para o ecrã, como que absorto; mas normalmente reparo que nesses momentos de aparente alheamento na sua tarefa, ouviu mesmo o que eu dizia e dá-me a entender que não se perdeu.

Fica absolutamente irritado quando o computador ou a impressora encravam e tem que desligar tudo e reiniciar novamente... E isso acontece às vezes mais do que uma vez na mesma consulta. Chego a levantar-me para ajudar a resolver o problema... mas volto normalmente a sentar-me rapidamente porque ele fica muito nervoso com toda a situação... tenho medo de o atrapalhar... Curioso, logo ele que é tão calmo e ponderado (o que me transmite confiança)... fica irreconhecível... e pede-me sempre desculpa... nessas alturas acabo por ser eu a ficar sem jeito...

Não me importo nada quando lhe conto coisas que me estão a acontecer ou aquelas manchas que há um ano apareceram nas minhas costas e ele tem necessidade de consultar programas que tem no computador para ajuizar melhor o que se está a passar comigo! A seguir, aproveita para me mostrar gráficos e figuras para eu entender melhor por que raio me está a acontecer aquela irritação. Por vezes, vêm colegas (quase sempre mais novos) pedir-lhe opinião sobre doentes que têm nos seus consultórios... agrada-me que me explique sempre que há um caso que precisa de mais 2 olhos (os dele) e me pede autorização para se ausentar por momentos. Nessas alturas reparo que tem os seus papeis arrumados com minúcia e os seus aparelhos cuidadosamente alinhados num tabuleiro próprio para não atrapalhar durante a conversa ou na luta com o computador. Quando volta diz sempre algo acerca da necessidade de se trocarem ideias e opiniões porque as pessoas são todas diferentes e as maleitas não aparecem sempre da mesma forma...

E confessa-me que tem autonomia para me receitar o que acha melhor para o meu caso, e para me pedir os exames de que eu preciso, mas que ele e os colegas seguem regras científicas (essa parte não percebi muito bem, tenho que um dia perguntar-lhe o que queria dizer com isso) para haver mais probabilidades de estarmos a tomar as decisões acertadas com o menor risco possível para o meu organismo. Fico contente porque muitas das vezes nem me receita medicamentos... explica-me como tenho que me alimentar e que exercício devo fazer e ensina-me truques para quando me dá a nervoseira...

Uma vez perguntou-me se não me importava que apresentasse o meu caso quando tive uma pneumonia por uma bactéria de nome esquisito para um trabalho que estava a fazer com um grupo de colegas; não iria em caso algum citar o meu nome ou identificação. Afinal para algo serviu aquele bicho estranho que se alojou nos meus pulmões....

Acho curioso e sinto-me satisfeito porque me explica sempre o que vai acontecer quando pede um exame e me solicita ajuda para decidir com ele “como vamos orientar o caso”; quando me receita algo explica-me sempre os prós e os contras dessa medicação e o que se espera com a mesma – e acaba por me pedir sempre o meu acordo quer para a receita quer para o tal exame que me explicou com detalhe.

Acho extraordinário o cuidado que tem em me vir receber e cumprimentar à porta do consultório e se vem despedir de mim no final. Faz sempre um comentário jocoso e amigável acerca da minha aparência ou solta uma pergunta interessada acerca dos meus filhotes.

Quando está ausente para férias ou para assistir a um congresso tem o cuidado de me avisar; em caso de necessidade, recorro na mesma à Unidade de Saúde onde trabalham mais sete médicos e seis enfermeiros, todos eles afáveis e amáveis como ele. Têm acesso ao meu processo nos seus computadores e já sabem o que me podem receitar e as maleitas que fui tendo ao longo desta já meia década.

A Unidade de Saúde Familiar é um local acolhedor com pinturas vivas e com equipamentos modernos e seguros; nela estão inscritos cerca de 14000 pessoas e fazem parte do Serviço Nacional de Saúde; estas Unidades são incentivadas pelo Ministério da Saúde e os profissionais podem escolher com quem querem trabalhar... O meu Médico explicou-me que ganham um pouco mais que os médicos dos centros antigos, conforme a quantidade dos doentes que têm a seu cargo e se cumprirem determinadas regras de bom desempenho.

Podemos recorrer a ela em qualquer momento numa aflição, e os serviços estão organizados seguindo normas e procedimentos de qualidade de forma a que todos sejamos tratados da mesma maneira, evitando ao máximo acidentes e erros na medicação.

O atendimento pelos secretários administrativos é afável e expedito; o meu médico explicou-me que têm muita preocupação em proporcionar formação adequada em atendimento, porque os secretários são o primeiro contacto que as pessoas têm com o serviço; sentimo-nos bem com uma pequena palavra de compreensão quando estamos numa aflição...

Não há muito ruído e as salas de espera são pequenas porque existe uma preocupação de estar sempre tudo marcado e as pessoas são atendidas às horas previstas.. o meu médico até me chama normalmente antes da hora....

Jesus Perez Sanchez
Março de 2010

Nota: este texto foi publicado neste blogue com a autorização do Dr. Jesus Perez Sanchez, médico de família.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A MGF e a Medicina Baseada em Indicadores... Uma reflexão



A Medicina Geral e Familiar (MGF) tem como características (entre outras competências; Wonca 2004), a prestação de cuidados centrados na pessoa, competência técnica de resolução de problemas, acessibilidade com satisfação dos cidadãos e profissionais.

Penso que poderão existir diversas formas de Organização de GRUPO (USF Modelo A/B/C ;UCSP;outras) de prestação de MGF com qualidade e geradoras de bons resultados.

O ideal seria que se avaliasse os resultados (de saúde, custo efectividade, etc) de forma a perceber se os Modelos Organizativos estão a gerar bons resultados, sem desvirtuar os princípios da MGF.

Os indicadores existentes (que têm servido de base de contratualização com as USF) são indicadores intermédios (do processo / surrogate endpoint) que poderão, ou não, traduzir outcomes/resultados favoráveis.

Existe necessidade de desenvolver investigação instrumental (aliás identificada na Agenda de Investigação Europeia MGF/ EGPRN) de forma a conseguir construir indicadores que de facto meçam o que se pretenda medir (validade), baseada na melhor evidência disponível.

Os indicadores espelham apenas uma parte da actividade duma USF, poderão ou não traduzir resultados favoráveis e poderão não estar baseados nas melhores evidências. Este facto deverá ser tido em conta na contratualização; é necessária uma certa postura de humildade e de abertura para afinar e corrigir estes processos de monitorização.

Por outro lado, as USF não deverão ficar com a sua actividade focada em indicadores, pois existe muito mais vida para além de indicadores. Este é um dos perigos do P4P (pay for performance): centrar a actividade em indicadores e dar menos importância a outros aspectos (outras necessidades de saúde).

Devemos evitar a Medicina Baseada em Indicadores, ie, MGF centrada em indicadores, alguns de validade questionável e não esquecer o essencial: a reforma dos CSP sem desvirtuar a prática da MGF com a qualidade que todos queremos.

Miguel Melo

USF Fanzeres Modelo B - ACES Gondomar

PS: Esta reflexão vem a propósito do Encontro de Vilamoura, nomeadamente a comunicação da MJ Ribas (projectar o futuro) e de outras mesas. Pretende ser um contributo positivo de quem tem contribuído para a melhoria da MGF.

Siglas:

MGF - Medicina Geral e Familiar

USF - Unidade de Saúde Familiar

UCSP - Unidade de Cuidados Personalizados

EGPRN - European General Practice Research Network


Nota: este texto, publicado aqui com a autorização do Dr. Miguel Melo, foi previamente publicado no forum MGFamiliar, no dia 24/03/2010.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Espreitar o futuro ;-)

Poder levantar a cortina e espreitar para o futuro... Contemplar, tentar imaginar... Assustador? Sim, talvez... Talvez pelo excesso de medicalização, pelo excesso de instrumentalização, pelos riscos de desumanização.

Mas, mesmo assim, fascinante!

Espreitem para o futuro da Medicina...





terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PORDATA - Uma base de dados admirável!


Depois de nos ter brindado com um admirável diagnóstico da situação em "Portugal, Um retrato Social", depois de numerosos artigos de opinião (no Público) cheios de lucidez que nos fazem reflectir e nos apontam múltiplas soluções, depois de um memorável discurso nas comemorações do dia 10 de Junho de 2009, depois de muitas coisas que marcam pela qualidade e que contribuem para um Portugal melhor, António Barreto, em conjunto com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, oferece-nos agora uma ferramenta impressionante e poderosa: PORDATA, uma "base de dados do Portugal contemporâneo". Os dados à disposição de todos, permitindo pesquisas, construção de tabelas, gráficos de uma forma fácil e intuitiva, em português e em inglês. De uma utilidade infinita para todos!

Só me ocorre dizer isto: MUITO OBRIGADO!


Eis o exemplo de um gráfico retirado do PORDATA:




terça-feira, 19 de janeiro de 2010

1º MGF.net Talks



Desde Fevereiro de 2007 que tenho vindo a desenvolver o portal MGFamiliar.net (
www.mgfamiliar.net), um portal dedicado aos médicos de família e também à divulgação de informação sobre saúde para o público em geral. Dado o interesse que os temas versados pelo portal têm vindo a suscitar junto dos médicos, tornou-se pertinente avançar com um novo evento científico.
Com este evento, pretende-se:
- Sensibilizar os colegas para as vantagens do uso das novas tecnologias de informação e comunicação na prática clínica.
- Criar um espaço de formação através de workshops que vá ao encontro das necessidades dos médicos.
- Debater e reflectir sobre o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação na relação entre o médico e o paciente.
- Debater o papel dos profissionais de saúde na capacitação dos indivíduos através das novas tecnologias de informação e comunicação (por exemplo, através das redes sociais, e-Health, etc).
Deseja-se que este evento se torne numa referência no panorama científico nacional no que diz respeito a esta temática. Desenhou-se um evento jovial, interactivo e com grande sentido prático. Nesse sentido, não haverá mesas redondas formais. Em vez disso, propomos "Talks": conversas de 15 minutos seguidas de diálogo com a plateia.
No primeiro dia, sexta-feira 28 de Maio, terão lugar os workshops com treino prático. O programa propõe 3 workshops com inscrições separadas do evento. Poderá haver médicos interessados nos workshops que não estejam interessados no segundo dia do evento e vice-versa. O número de inscrições nos workshops terá que ser limitado por razões de logística (nº de lugares disponível na sala).
No segundo dia, sábado 29 de Maio, será o "core" do evento com as
talks, espaços de diálogo e com algumas rubricas características do portal MGFamiliar.net: "O livro que mais me tocou" e "Para além da Medicina".