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sábado, 21 de novembro de 2009

Pico da gripe, cá vamos nós! - semana 46







Dados até 15/11/2009: continuamos em direcção ao pico.
No meu dia-a-dia, entre os pacientes que tenho observado com gripe, tenho notado um predomínio das crianças. Na sua grande maioria, são casos de doença ligeira. Em muitas crianças, a febre tem durado 1 dia e meio até 2 dias. Também noto que as pessoas estão mais tranquilas. Agora que quase todos conhecem alguém que teve gripe e uma vez que correu bem, torna-se mais fácil permanecer sereno e tranquilo.
Estas são apenas impressões pessoais de um médico de família... Não são dados científicos!

Ah! Outra coisa... Esta semana fui vacinado :-)


Se desejar ver o ficheiro pdf na íntegra, clique aqui...

domingo, 15 de novembro de 2009

Pico da gripe, cá vamos nós!




Pela análise do gráfico da vigilância da gripe em Portugal que inclui dados até 8/11/2009, é fácil verificar que nos aproximamos rapidamente do 1º pico de gripe da época 2009/2010... Talvez dentro de 2-3 semanas.

Se desejar ver o ficheiro pdf na íntegra, clique aqui...



domingo, 1 de novembro de 2009

Uma forma diferente de comunicar sobre a gripe A - precisa-se!

Cada vez com mais frequência, pergunto-me se a questão da gripe A poderia ou deveria ter sido abordada de maneira diferente, nomeadamente pela comunicação social.

Paremos para reflectir na abordagem dos últimos meses...

Desde que surgiu a notícia do aparecimento do novo vírus, em Abril de 2009, temos vivido ciclos sucessivos de informação sobre esta gripe.

Eis alguns dos picos deste frenesim informativo:

- O novo vírus tem ou não potencial pandémico?... E andámos, dias a fio, a acompanhar as reuniões do grupo de trabalho da OMS. Este pico só acalmou com a declaração definitiva: estamos a viver uma pandemia!

- O frenesim informativo passou então para a detecção do primeiro caso de gripe A em Portugal. Será este, não será... Resultados provisórios... Há que aguardar... Finalmente: temos o 1º caso. E, de novo, as coisas acalmaram um pouco...

- E como estão a evoluir os casos de pessoas infectadas? Nesta fase, era comum ouvir "em Portugal, existem actualmente "n" casos confirmados de gripe A". Excepto nos primeiros dez dias, esta afirmação nunca foi verdadeira, pois a grande maioria desses casos já estavam curados, ou seja, resolvidos! Já não eram casos, nem constituíam qualquer risco para os outros. A afirmação correcta seria: "em Portugal, registaram-se até ao presente "n" casos confirmados de gripe A".

- Há uma pessoa internada em estado grave!... Pergunta seguinte: quando vamos ter a primeira morte por gripe A em Portugal? Mais uma vez, o frenesim só acalmou com o falecimento da primeira pessoa.

- A bolha seguinte: vacina! Vamos ter a vacina ou não? Afinal, sim... Logo a seguir: a vacina é ou não segura? Os profissionais de saúde vão ou não tomá-la?... Rejeitada nos EUA, mas aceite na Europa?! Ruído, muito ruído...

- Na última semana: a primeira criança portuguesa a morrer por gripe A! Notícias, notícias, NOTÍCIAS! A evolução, a revolta, a angústia, a invasão da escola, a família... A causa, a autópsia, vamos aguardar, vamos saber!

E agora, como vai ser?... Como vamos continuar? Será tempo de parar para reflectir? É que estamos apenas no princípio desta história...

Vamos continuar a monitorizar caso a caso, a comunicar avidamente cada fatalidade?

A ouvir pessoas na fase aguda do luto, como quem ouve um jogador ou treinador à saída do campo, no final de um espectáculo desportivo?

Não seremos capazes de compreender o dano que estamos a causar, ao comunicar desta forma? Para quem está no terreno, na linha da frente, os médicos de família e os colegas que trabalham nos serviços de urgência, é muito fácil apercebermo-nos como estes excessos informativos afectam as pessoas e o que elas sofrem com isso. Ansiedade, medos, perturbações de sono, sensações de insegurança têm motivado o recurso "desnecessário" aos serviços.

Vários estudos têm demonstrado que os portugueses têm uma certa propensão para a toma de medicamentos que tratam a ansiedade e as depressões. Não estaremos a contribuir para isso?

É possível comunicar sobre a gripe de uma outra forma. Sem alarmismos, sem ansiedades, sem medos... É possível comunicar promovendo o conhecimento e aumentando a capacidade de controlo que as pessoas têm sobre a sua própria saúde.

Afinal, todos os anos morrem milhares de pessoas devido ao vírus da gripe e algumas (poucas) eram saudáveis antes disso. Só que esta realidade não costuma ser notícia. Os dados do Inverno do Hemisfério Sul indicam que este vírus não provocou uma mortalidade tão elevada como os vírus da gripe sazonal dos últimos anos. Na maioria das situações, esta gripe cura-se em casa e com repouso. Se existirem sinais de dificuldade respiratória deve-se recorrer de imediato aos Serviços de Urgência. Se, depois de algumas melhoras, o quadro se voltar agravar com o ressurgimento de febre, o recurso ao médico está indicado, pois isso poderá ser um sinal de complicação.

É possível comunicar sobre a gripe de uma outra forma.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gripe A: acima de tudo, muita calma!




Tradução espontânea do Dr. Rosalvo Almeida (Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, 1990) do texto em castelhano do blogue: http://gripeycalma.wordpress.com/ citado por http://mgfamiliarnet.blogspot.com/

Gripe A: acima de tudo, muita calma!

Durante os últimos meses, os profissionais de saúde que escrevem em blogues, têm dado eco à inquietação que vive a nossa sociedade com a denominada pandemia de gripe A. Os médicos têm verificado nas últimas semanas uma afluência importante de doentes às suas consultas pedindo informações. Também temos visto como alguns documentos e comentários dos blogues saíram do circuito habitual e se difundiram pela Internet. Estes dois factos levaram a que um grupo de profissionais de saúde, cujo único denominador comum é escrever em blogues ou em páginas orientadoras, redigissem a tomada de posição que adiante se pode ler:

O que é a gripe A / H1N1?

A gripe A é uma doença que cursa de forma leve na grande maioria das pessoas. É provocada pelo vírus influenza A / H1N1 do mesmo género que o vírus da gripe comum. Pode dar febre e mais sintomas como dor de cabeça e dores musculares, mal-estar geral, congestão nasal, tosse e às vezes sintomas digestivos (náuseas, diarreia).

A gripe A tem os mesmos sintomas que a gripe de todos os anos.

Como se faz o contágio?

Como a gripe comum, o contágio faz-se muito facilmente porque se transmite através do ar por meio de pequenas gotas que emitimos ao falar, tossir ou espirrar. Quando falamos de “pandemia” queremos dizer que há muitas pessoas afetadas, em muitos países diferentes. Isso deve-se ao facto de se tratar de um novo vírus e, portanto, o contágio é mais fácil.

Mas, por ser muito contagiosa, não quer dizer que seja mais grave.

Como se diagnostica?

Existe um teste diagnóstico rápido para distinguir os tipos de gripe. Mas, para o diagnóstico da gripe A, tem pouca sensibilidade (aproximadamente uns 35%). Isso quer dizer que, de 100 pessoas com gripe A, só detetaremos 35 (teste positivo). Na maioria (65) teremos um resultado negativo para gripe A. Ou seja, ainda que se tenha um teste negativo, se temos os sintomas gripais, a causa pode ser sempre a gripe A.

E o que é mais importante: os cuidados recomendados são os mesmos, independentemente do tipo de gripe. Por esta razão, não há utilidade em fazer um teste diagnóstico numa gripe leve ou moderada.

Como pode evoluir a gripe A?

Com os dados disponíveis dos milhares de casos detetados em todo o mundo até agora, pode-se afirmar que a imensa maioria das pessoas têm esta gripe com sintomas leves ou moderados. Deve manter-se uma vigilância especial sobre a evolução dos sintomas em pessoas com doenças crónicas descompensadas, crianças com menos de seis meses e em doentes com riscos maiores (imunodeprimidos).

Como podemos atuar para prevenir o contágio?

As recomendações básicas são duas:

1. A lavagem frequente de mãos (por exemplo, lavar as mãos 10 vezes por dia diminui a metade o risco de contágio).

2. A higiene respiratória (tossir ou espirrar sobre um lenço de papel descartável e lavar as mãos a seguir, tossir ou espirrar sobre o braço se não se dispõe de lenço para evitar o contacto com a mão, evitar contactos próximos ou íntimos quando os sintomas da doença são evidentes).

Não é claro se o uso de máscaras evita a propagação da epidemia. Só se recomenda o seu uso às pessoas doentes enquanto estão em contacto com outras pessoas, assim como aos seus cuidadores. Igualmente não é claro se o uso de fármacos como oseltamivir (Tamiflu®) ou zanamivir (Relenza®) pode prevenir o contágio. Existem alguns estudos em instituições fechadas e em contactos familiares com benefícios muito pequenos. Tendo em conta que se trata de uma gripe leve e que estes fármacos têm efeitos secundários, em geral, não se recomenda o seu uso.

A vacina contra a gripe comum não funciona para a gripe A. Ainda não está terminada a produção de uma vacina para a nova gripe com garantias totais de segurança e eficácia. A situação atual, em relação com o número de pessoas afetadas e o número de mortes, não justifica alarme social.

Que fazer se aparecem sintomas?

Os sintomas são os mesmos que os da gripe de todos os anos. A gripe, como diz a sabedoria popular, “dura sete dias com tratamento e uma semana sem ele”.

Só as pessoas que tenham problemas graves, exigem assistência médica: dificuldade de respirar, dor importante no peito, alterações da consciência (sensação de atordoamento ou desmaio), agravamento repentino ou agravamento passados 7 dias do início dos sintomas. No caso das crianças, com menos de 6 meses, a respiração acelerada ou a febre que dura mais de três dias (72 horas) tornam recomendável uma avaliação médica.

Contudo, provavelmente, a maior parte das pessoas terão sintomas leves e recorrer ao médico não trará nenhum benefício. Antes pelo contrário: a saturação dos centros de saúde e hospitais pode dificultar uma correta atenção aos doentes graves, por gripe ou por outros problemas de saúde.

Portanto, nas pessoas sãs que apresentem um quadro gripal sem qualquer indicador de complicações pode bastar um autocuidado nos seus domicílios com as medidas habituais: boa hidratação, boa alimentação e boa higiene.

Se alguém está doente, nos cinco primeiros dias, não convém frequentar lugares cheios de gente para evitar contagiar outras pessoas. E recordar as medidas recomendadas: não “tossir sobre” os outros, espirrar na manga ou num lenço de um só uso e lavar as mãos várias vezes por dia.

Se aparecem sintomas, é necessário tomar algum tratamento?

Ainda que a febre não seja perigosa só por si, os antipiréticos como o paracetamol ou o ibuprofeno podem ser úteis para aliviar o mal-estar que esta produz. Os medicamentos antivirais demonstraram muito pouca eficácia nas infeções por vírus gripais comuns, diminuindo em menos de um dia a duração dos sintomas. Em relação a esta gripe não há estudos que demonstrem a sua eficácia.

Por estas razões, o seu uso deverá ser restringido aos doentes que sofram complicações ou àqueles com alto risco de as ter. Numa pessoa saudável, os riscos por efeitos adversos do fármaco podem superar os seus benefícios

E no caso de gravidez?
Sempre se soube que a gravidez pressupõe um pequeno aumento do risco para as complicações da gripe (qualquer tipo de gripe). No caso de febre ou sintomas de gripe, é recomendável consultar com um profissional de saúde. De qualquer modo, o risco continua a ser baixo e a grande maioria das gravidezes decorre de forma saudável.

Conclusão

Durante a pandemia de gripe A continuará a haver enfartes de miocárdio, apendicites, insuficiências cardíacas, diabetes, crises de asma, doenças psiquiátricas, fraturas da anca, acidentes e muitos outros problemas de saúde que requerem atenção dos profissionais da saúde.

O comportamento sereno, paciente e tranquilo dos doentes, dos meios de comunicação, dos profissionais de saúde, dos dirigentes políticos e dos detentores de cargos com responsabilidade na planificação e gestão do Sistema Nacional de Saúde é essencial para que funcionem bem os serviços de saúde e estes se possam dedicar aos doentes que o necessitem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Recomendações CDC para nova vacina H1N1

CDC’s Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP), a panel made up of medical and public health experts, met July 29, 2009, to make recommendations on who should receive the new H1N1 vaccine when it becomes available. While some issues are still unknown, such as how severe the virus will be during the fall and winter months, the ACIP considered several factors, including current disease patterns, populations most at-risk for severe illness based on current trends in illness, hospitalizations and deaths, how much vaccine is expected to be available, and the timing of vaccine availability.

The groups recommended to receive the novel H1N1 influenza vaccine include:

  • Pregnant women because they are at higher risk of complications and can potentially provide protection to infants who cannot be vaccinated;
  • Household contacts and caregivers for children younger than 6 months of age because younger infants are at higher risk of influenza-related complications and cannot be vaccinated. Vaccination of those in close contact with infants less than 6 months old might help protect infants by “cocooning” them from the virus;
  • Healthcare and emergency medical services personnel because infections among healthcare workers have been reported and this can be a potential source of infection for vulnerable patients. Also, increased absenteeism in this population could reduce healthcare system capacity;
  • All people from 6 months through 24 years of age
    • Children from 6 months through 18 years of age because we have seen many cases of novel H1N1 influenza in children and they are in close contact with each other in school and day care settings, which increases the likelihood of disease spread, and
    • Young adults 19 through 24 years of age because we have seen many cases of novel H1N1 influenza in these healthy young adults and they often live, work, and study in close proximity, and they are a frequently mobile population; and,
  • Persons aged 25 through 64 years who have health conditions associated with higher risk of medical complications from influenza.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se tiver gripe fique em casa... e a baixa?


"Se tiver gripe, fique em casa..." Quando o pico da crise for atingido, esta expressão vai-se ouvir com frequência. E o certificado de incapacidade temporária para o trabalho ( a baixa)? Já terão sido pensadas estratégias para contornar a necessidade de o paciente vir ao consultório para obter a dita baixa?


domingo, 28 de junho de 2009