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sábado, 21 de novembro de 2009

Pico da gripe, cá vamos nós! - semana 46







Dados até 15/11/2009: continuamos em direcção ao pico.
No meu dia-a-dia, entre os pacientes que tenho observado com gripe, tenho notado um predomínio das crianças. Na sua grande maioria, são casos de doença ligeira. Em muitas crianças, a febre tem durado 1 dia e meio até 2 dias. Também noto que as pessoas estão mais tranquilas. Agora que quase todos conhecem alguém que teve gripe e uma vez que correu bem, torna-se mais fácil permanecer sereno e tranquilo.
Estas são apenas impressões pessoais de um médico de família... Não são dados científicos!

Ah! Outra coisa... Esta semana fui vacinado :-)


Se desejar ver o ficheiro pdf na íntegra, clique aqui...

domingo, 11 de outubro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Médicos Felizes

"I have always suspected that happier doctors make for happier patients and a few years ago came up with a mnemonic for a set of well-being practices correlated with the feeling of happiness -- MOTORS -- because the pursuit of happiness, in its altruistic sense, can be the motor of your life.

MOTORS” stands for:

Meaning --> find a meaning in what you do for a living but don't forget to set limits around it
Outlook --> have a positive outlook on life, be philosophical but also focused on success
Time --> spend quality time with F&F (Family & Friends)
Out of yuppie values --> don't focus on chasing money or prestige
Religious / spiritual practices
Self care practices, like sports or meditation"

Texto retirado do blogue: http://manezinha.blogspot.com/ (obrigado pela inspiração ;-) )

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Virose da bofetada

Ontem, pela manhãzinha, fui surpreendido por um motivo de consulta invulgar…

Estava a fazer “consulta aberta”.  Chamamos "consulta aberta" à consulta que se destina a atender pacientes de todo o Centro de Saúde que recorrem por uma situação não programada, muito ao jeito do moderno “walk-in”. Veio então uma mãe com o filho de 8 anos. A consulta era para a criança, que se encontrava bem naquele momento. Contudo, “tem andado com a face muito vermelha e a orelha esquerda também”.  Além disso, tinha-se queixado de umas picadelas nos dedos das mãos. Não tinha apresentado febre e andava bem disposta. A mãe tinha ouvido nas notícias que havia um surto da “virose da bofetada” e resolveu passar pela consulta para ficar descansada.

Confesso que já há muito que não ouvia falar desta virose. Foi muito útil ter a internet no consultório… Com uma simples pesquisa, rapidamente fui ao encontro das notícias que preocuparam esta mãe: “Vírus da bofetada atinge alunos” no JN ou “Delegada de saúde sossega pais sobre «vírus da bofetada»” no DD.

Trata-se de uma doença conhecida como “Eritema infeccioso”, que é provocada por um vírus chamado parvovírus humano B19. Esta virose é “benigna” manifestando-se por rubor e sensação de calor na face podendo também passar para os membros. Transmite-se por gotículas de saliva e quando o rubor se manifesta, a criança já não se encontra contagiosa. Raramente origina febre. A única atitude a tomar será a de aguardar que passe.

Esta infecção pode ser preocupante apenas quando ocorre na grávida, pois pode conduzir à morte fetal. Também pode ser mais complicada se ocorrer em pessoas com doenças do sangue (hemoglobinopatias, talassemia…) ou em pessoas imunodeficientes.

Uma pesquisa no motor de busca personalizado da secção “Público” do MGFamiliar.net conduziu-me ao seguinte texto informativo do Manuel Merck de Saúde para a Família.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Medicina Geral e Familiar e Hipermercados

Perguntarão, os meus caros leitores, qual a relação entre hipermercados e a Medicina Geral e Familiar… Este meu pequeno “brainstorming” (tempestade cerebral) nasceu a partir do renovado debate sobre a abertura dos hipermercados ao Domingo e feriados. Eu compreendo o ponto de vista económico, mas tenho muitas dúvidas em relação a alguns dos argumentos invocados. Tenho muitas dúvidas que a abertura dos hipermercados ao Domingo dê um contributo significativo ao desenvolvimento económico do país e também não me parece que os portugueses sintam uma grande necessidade disso… Por exemplo, não observei qualquer agitação social aquando da última redução de horário.

Como médico de família, trabalho com os meus pacientes e com as suas (“minhas”) famílias…. Observo as suas vidas e acompanho-os ao longo do tempo: no preparar de uma nova vida, na gestação da mesma, no crescimento da família, na vida boa e má da família. Um facto indesmentível da realidade actual é a falta de tempo que as pessoas têm… Já não há tempo para estar uns com os outros. Não estando, também não se dialoga, não dialogando, também não se conhece… Já não há tempo para brincar com os filhos e os filhos também já não têm tempo para brincar uns com os outros. E depois, nascem os problemas: os “nervos”, as “dores de cabeça”, as insónias, as discussões, as tensões!

Independentemente dos aspectos religiosos, o descanso semanal vem de há longa data, de há muito tempo, mesmo antes de se ter descoberto o “stress”. Não me parece de todo exagero compará-lo ao descanso nocturno… O ser humano precisa dele. Queixamo-nos dos antidepressivos e dos calmantes que tantos tomam… Não é construindo hospitais de psiquiatria que se promove a saúde mental. A promoção da saúde mental e da saúde da família pode passar por decisões legislativas que efectivamente contribuam para isso. Promover um dia de descanso semanal que proporcione à família a oportunidade de estar e se encontrar pode ser uma excelente medida de promoção da saúde mental e com considerável benefício a baixo custo.

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domingo, 27 de abril de 2008

Da janela do consultório de um médico de família


Da janela do consultório de um médico de família

Da janela do meu consultório, vejo muita coisa… Eu vejo luz. Uma luz com várias tonalidades que vão alternando entre si. Eu vejo sol, vejo chuva, o azul de um céu límpido e cintilante e vejo brancos mesclados com tons de cinzento pintados pelas múltiplas nuvens que enfeitam as vidas.

Da janela do meu consultório, eu vejo espaços verdes que se escondem atrás das fachadas cinzentas e velhas da cidade. Estes rostos da minha cidade… Ninguém sabe os encantos que eles escondem, nem é fácil descobri-los. É necessário conseguir entrar, passar pelos corredores, de sala em sala, até lá chegar: àquela fresta por onde se consegue espreitar o jardim. E vejo alguns desarranjos, fruto de desgovernos trazidos com o tempo.

Junto à janela do meu consultório, há um pequeno patamar. Por vezes, pousa lá uma gaivota e espreita para dentro. Saúdo-a com os meus olhos, partilho algo e ela segue o seu voo.

Da janela do meu consultório, eu consigo ver as duas torres da Igreja da Nossa Senhora da Lapa. Como dois braços estendidos à cidade, estão sempre lá para dar e receber, disponíveis. E quando chega a noite, da janela do meu consultório, eu vejo luzes e estrelas. Mesmo depois de sugado o dia, ainda se vêem luzes e estrelas. Umas vezes mais cintilantes, outras menos…

Da janela do meu consultório, eu ouço o carrilhão da Igreja de Cedofeita com a sua melodia jovial que me inunda e me conforta. Ouço outros sons… buzinas, sirenes de ambulâncias, o cacarejar dos galináceos, o grasnar das gaivotas… Enfim, um arco-íris de sons: do mais natural ao mais sofisticado. E depois, ouço as crianças que saltam, riem e brincam… gritam. Em certas ocasiões, o barulho é tão intenso que chego a ter que cerrar a janela do meu consultório, para poder mergulhar no som apaziguador do coração: tum-tum… tum-tum… tum-tum…

Para quem não sabe, o meu consultório fica na Rua Miguel Bombarda, na cidade do Porto. Uma rua cheia de pedra, cimento e asfalto. Nesta rua, além do Centro de Saúde, existe um infantário, o café da Sra. Alice, o pomar da D. Leonor, várias galerias de arte… E tudo isto eu vejo e ouço da janela do meu consultório. Provavelmente, se o meu consultório ficasse noutro lugar, veria e ouviria coisas muito semelhantes.